1/23/2018

// tenho espondilite anquilosante e está tudo bem :)



| dez anos passaram-se desde que optei por um tratamento natural, para tratar a espondilite anquilosante. desisti da medicação alopática, optando pela medicina tradicional. iniciei a dieta sem amido e, ao longo dos dez anos que se passaram, fui complementando o tratamento com exercício físico e suplementos alimentares.

não foram dez anos em linha recta, muito pelo contrário. por vezes, tropeçava e muitas vezes, caía. e sempre que isso acontecia, nessas curvas da vida, eu silenciava e revia toda a rotina do dia-a-dia, até identificar o gatilho dessa crise... e aprendia sempre algo mais: aquele ingrediente que introduzira, teria de ser retirado; a preguiça prevalecera e eu tinha deixado de ir ao ginásio; excesso de trabalho... 

lembro-me, perfeitamente, do momento em que me apercebi que as emoções poderiam ter um papel relevante, no tratamento. eu já seguia a dieta há algum tempo, não falhava com o exercício físico, mas... estava com uma das piores crises que já tivera. então, fiz, o que estava acostumada a fazer: silenciei e revi tudo o que se estava a passar à minha volta. depressa percebi que as minhas emoções encontravam-se, completamente, desequilibradas. percebi que, sem me dar conta, tinha permitido que a preocupação, a ansiedade, a angústia e até a raiva, derivados de problemas pessoais, me desviassem do meu caminho. 

perigosamente fora do meu centro - do aqui e agora - não foi fácil, regressar à estrada. contudo consegui. e, mais uma vez, com esse aprendizado, acrescentei algo mais ao meu tratamento: higiene mental.

e os anos foram passando, a vida foi acontecendo e no ano passado, mais uma curva apertada, mais um revés, na minha saúde. e silenciei. e revi dia a dia, acção ou falta dela, emoção a emoção. 

hoje, sei-me, novamente, centrada. ainda me encontro em recuperação, mas já sem dores. e posso dizer que, sim: graças a uma alimentação natural e cuidada, ao exercício físico diário e, principalmente, a uma boa administração das emoções e a uma higiene mental constante, tenho espondilite anquilosante e está tudo bem :) 

6/24/2014

// quatro anos se passaram...



...e eu estou de regresso. não só estou de regresso a este blog, como regressei à dieta pobre em polissacarídeos [vulgo, dieta sem amido].

a razão que me levou a este regresso foi, essencialmente, uma: as dores, também elas, regressaram. nos últimos quatro meses, a espondilite reapareceu e, com ela, a rigidez, as dores insuportáveis, as noites mal dormidas... a minha qualidade de vida teve um revés inacreditável. eu já não me lembrava como podia ser tão mau...

por uma questão de  acomodação, voltei à terapêutica de 2006. contudo, pouco aliviou... fez efeito nos primeiros quatro dias. eu sabia que a única e derradeira solução seria alterar o meu regime alimentar: teria de regressar à dieta pobre em polissacarídeos [vulgo, dieta sem amido].

hoje, conto com seis dias de dieta. hoje, sinto o meu corpo bastante melhor. sem dor ou rigidez matinal. a inflamação que sentia, também ela, desapareceu.

no terceiro dia, já consegui andar, de novo, de bicicleta e não senti qualquer dor - nem durante, tão pouco após o exercício. mais uma vez, a dieta mostrou que é a solução.

foi um pouco complicado voltar ao regime anterior. eu adoro - para não dizer que sou uma autêntica viciada - pão e leite. o meu organismo também de ressentiu da falta de hidratos de carbono, apesar de eu ter optado por manter o arroz. mas, ao sexto dia, já me sinto com mais forças.

a opção de manter o arroz foi bastante ponderada. no início desta caminhada, quando comecei a dieta, só introduzi o arroz, ao quarto mês. desta vez, tentei perceber se seria necessário, ou não, fazer uma dieta tão rígida. ate agora, penso que este regime alimentar, tal como está, neste momento, está a cumprir com os objectivos: diminuir a rigidez matinal, diminuir a inflamação e, claro, diminuir a dor.

agora, é continuar a caminhada...

1/18/2010

// dieta sem Amido... ou como eu voltei à minha vida normal.


Já todos sabem que eu comecei esta dieta há dois anos. Já todos sabem que, na minha opinião, todos deveriam seguir este regime alimentar dando, assim, uma hipótese à dieta e a si mesmo (mas seguir a sério, com vontade, sem batotas, sem ideias derrotistas). Já todos sabem que a dieta salvou-me a vida de todas as maneiras que uma vida pode ser salva.

O que ainda ninguém sabe é que eu já estou a comer tudo. Há cerca de um mês, resolvi fazer a experiência. Comecei a reintroduzir alguns alimentos e, para meu espanto, o meu organismo tolerou todos os alimentos que fui introduzindo.

Hoje, recebi os resultados das minhas análises clínicas. Os valores da VS e da PCR continuam normais, muito abaixo dos valores da referência. Neste momento, não tenho qualquer tipo de inflamação no meu organismo.

Quando penso que, até há pouco mais de dois anos, eu estava completamente incapacitada ao ponto de ter que ser a minha mãe a tratar da minha higiene pessoal... que eu tinha dores horríveis, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas... e hoje estou assim...

Ultimamente, só me dá para chorar. Ainda me custa a acreditar. Como tudo isto fosse um sonho. (tenho muito medo de acordar).

Mas... não é um sonho. Eu estou acordada. O mais acordada como jamais estive.

Apesar de já poder comer de tudo, novamente, continuo com a minha dieta. Até porque eu continuo a achar que este regime alimentar é o grande e derradeiro passo para o tratamento desta e de outras doenças.

Por vezes, como uma sopinha. Outras vezes, uma torrada. Já comi um pastel de nata e dois pastéis de bacalhau. Permito-me cometer estes pecaditos, porque eu mereço.

Cheguei onde cheguei porque nunca desisti apesar de, muitas vezes, só me apetecer desistir. Porque segui a dieta à risca, sem batotas. Porque jamais estive com aquela atitude derrotista de que "se calhar, mim, a dieta não vai fazer nada". Porque acreditei mais nos cientistas com provas dadas em laboratórios do que nos meus médicos. Porque insisti. Porque o que eu queria mesmo era ficar curada.

A Cura

Em que consiste a cura?
Para quê a cura?
Para quem?
Estamos prontos?
O que ganhamos?
O que perdemos?
Queremos realmente a cura?...

Há que saber\querer responder a estas questões. São importantes, na minha opinião. É aqui que reside toda a força que uma pessoa precisa para conseguir mudar a sua vida.

Se eu estou curada? Bem... estou sem dores, os meus exames clínicos estão "limpos". Estou a trabalhar normalmente e durmo bem toda a noite. Consigo correr, consigo saltar. Voltei a ser a Susana de antigamente, que estava sempre a rir e a cantar. Acho que sim, que estou curada.

E, agora, vou Viver a Vida tal como ela deve ser vivida. Claro que, com mais prudência. À primeira todos caem...

Quero aqui deixar, mais uma vez, o meu muito obrigado a todos os que me ajudaram neste caminho. À Carol Sinclair, ao Dr. Alan Ebringer e ao KickAS.org que me deram a conhecer esta dieta. E aos meus amigos que me deram a mão...

Quanto a todos os que ainda não se deram uma hipótese, façam-no. Só têm a ganhar... Mas, por favor, não o façam a acreditar que não vai dar em nada. Porque isso, é auto-sabotagem.

E para todos aqueles que, no seu íntimo possam acreditar que não merecem a cura, que não merecem ser felizes... olhem para o espelho, olhem nos vossos olhos e sorriam. Todos merecemos ser felizes. Só porque... sim.
(sim, tens razão, isto é para ti...)


Um abraço grande a todos e até de repente...

ps. se precisarem sabem onde me encontrar

12/04/2009

// o Natal está a chegar....







...alguma ideia do que vão comer?
Ideias: aqui!







@

12/01/2009

Dois anos de Dieta sem Amido

Hoje faz dois anos que comecei o meu caminho. Um novo caminho. O início da minha nova vida.

Da dieta, pouco ou nada sabia: que resultados teria, se funcionaria, se me faria mal retirar uma parte bastante significativa de hidratos de carbono da minha alimentação, onde iria buscar forças se doía tanto viver.

Mas... tudo isso... que me importava? Que interesse teria saber tudo isso?

Acabar com a dor. Isso, sim. Era tudo o que eu queria. E fui atrás... e consegui.

Se foi fácil?

Difícil era viver vinte e quatro horas sob vinte e quatro deitada com dores atrozes. Difícil era depender da minha mãe para me dar banho. Difícil era querer gritar e abafar o meu grito para que ninguém me ouvisse.

A EA estava tão avançada: "invulgarmente avançada, tendo em conta a sua idade e o facto de ser mulher", dizia o meu reumatologista.

Difícil era Viver.

Fácil, foi muito fácil. A dieta.

Eu fiz. Sei quem fez. Eu consegui... muitos conseguiram.

Está na vossa mão...

10/25/2009

Existem caminhos...


Existem caminhos para quem quer caminhar.
Existem caminhos para qualquer lugar.
Caminhos escuros, perigosos, trilhas estranhas,
e estradas largas cruzando planícies tamanhas
Que nunca se sonhou poder atravessar.

Existem caminhos verdejantes e belos
que nos levam de castelo em castelo,
de covil em covil, através dos bosques
cheios de fadas e feras, terras das hostes
das pessoas feitas de sonhos, imaginárias...

Existem caminhos sempre
Basta persistir e seguir.
Os Deuses da estrada abençoam
aquele que não se deixa cair.

Eu só quero encontrar o jardim
no qual eu possa me deitar e sonhar...

Daniel Duende

...não podemos Deixar de o Procurar.

10/22/2009

"Estás a ficar marreco"... e outros mimos.

- Será um direito permanecer ignorante?
- Não sei, mas eu recuso-me a descobrir...

Quem tem ea passa por cada situação... como se não chegasse tudo o que uma doença crónica degenerativa e incapacitante acarreta ainda temos que lidar com a ignorância da sociedade.

Tenho um querido amigo que, ultimamente, tem sido alvo dos comentários mais incríveis. "Estás a ficar marreco" é uma daquelas frases comuns à ea. Tenho uma outra amiga que foi insultada enquanto atravessava a estrada - na passadeira - porque estava a andar muito devagar.

Eu mesma já fui humilhada por uma senhora no autocarro. Estava com tantas dores que nem conseguia equilibrar-me. Sentei-me no único lugar que estava livre, só para conseguir guardar a carteira, já que iria sair na paragem seguinte. Mas, entrou uma grávida e eu não a vi.

A senhora que estava sentada à minha frente começa - alto e em bom som - a disparatar comigo. Porque os jovens de agora bla blá blá, porque já não há respeito por ninguém, porque no meu tempo é que era...

Esta senhora ( se é que eu a posso chamar assim...) nem me deixou falar. Porque eu já ía sair e foi só para guardar a minha carteira...

Quem era esta senhora? Pertencia ao grupo visado na sinalética destes lugares específicos? Não parecia: não estava grávida, não tinha nenhuma criança ao colo e, da maneira como estava a esbracejar quase aos pulos, não parecia ser deficiente físico ou estar com qualquer dor (ao contrário de mim, infelizmente).

Esta senhora conseguiu deixar-me a chorar: de vergonha, de nojo de mim.

Muitos de nós já tivemos que enfrentar a ignorância desta sociedade que está cada vez mais estúpida e insensível. Eu deveria ter sentido vergonha e nojo, sim. Mas não de mim. Decididamente, não de mim...

10/16/2009

Ossos e Treinar Pesos

A Osteoporose, etimologicamente osso poroso, consiste na diminuição global da quantidade de tecido ósseo. Ocorre quando a velocidade de reabsorção óssea supera a da formação do osso.

A perda de massa óssea pode tornar os ossos tão porosos e frágeis que se deformam e fracturam espontaneamente.

A ocorrência da Osteoporose aumenta com a idade. Tanto nos homens como nas mulheres, a massa óssea começa a diminuir cerca dos 35 anos de idade e diminui continuamente daí em diante. As mulheres podem chegar a perder até metade, e os homens até um quarto de osso esponjoso. A Osteoporose é duas vezes e meia mais frequente na mulher do que no homem.

Existem diversos tipos de Osteoporose:

A causa da Osteoporose Pós-Menopáusica é a falta de estrogénio, a principal hormona feminina que ajuda a regular o fornecimento de cálcio aos ossos.

A Osteoporose Senil é o resultado de uma deficiência de cálcio relacionada com a idade e de um desequilíbrio entre a velocidade de degradação e de regeneração óssea. Aqui, a palavra “senil” significa que se manifesta em pessoas de idade avançada (70 anos).

A Osteoporose Secundária, induzida pelo uso de certos medicamentos ou na sequência de certas doenças crónicas.

A Osteoporose Juvenil Idiopática é uma doença pouco frequente, de causa desconhecida. Aparece em crianças e adultos jovens, sem perturbações hormonais nem carências de vitaminas, e que não apresentam qualquer razão óbvia para ter ossos débeis.

A terapêutica usava no tratamento desta doença consiste em aumentar a densidade óssea:

* Cálcio - nutriente essencial cuja absorção não depende somente da quantidade ingerida mas sim, de inúmeros outros factores, como a ingestão de doses correta de Vitamina D, de proteínas e do correcto equilíbrio hormonal.

* Vitamina D - auxilia a absorção do cálcio.

* Calcitonina - inibe a reabsorção óssea.

* Bifosfonatos - inibem a acção dos osteoclastos, prevenindo eventuais fracturas (triplica o risco de desenvolver necrose óssea (com a consequente deformação e dor crónica incapacitante).

* Estrogénio – hormona sexual feminina importante no auxílio da manutenção da densidade óssea nas mulheres (aumenta o risco de desenvolvimento de cancro da mama.

* Estrôncio – aumenta a formação de massa óssea (nauseas, diarreia, cefaleias e dermatites; eventual tromboembolismo venoso).

Na terapêutica usada nos homens, a administração da hormona sexual – testosterona – é controversa, pelo que o tratamento indicado passa por suplementos de cálcio, vitamina D e bifosfonatos.

A maioria dos medicamentos, que fazem parte desta terapêutica, têm tantas contra-indicações e efeitos secundários que me fazem pensar até que ponto eu quero segui-la.

O que fazer em alternativa? Existe um outra terapêutica, sem efeitos secundários adversos: o Exercício físico, de preferência ao ar livre, com adequada exposição ao sol (vitamina D).

Já aqui falei sobre a importância do Exercício Físico, tanto na profilaxia como no tratamento da Osteoporose. Não especifiquei, contudo, que tipo de exercício físico.

Creio que será da máxima importância saber qual o tipo de exercício a fazer, pelo que recomendo a leitura do artigo de revisão da Pós-graduação em Lato-Sensu em Fisiologia do Exercício e Avaliação Morfo-Funcional (Universidade Gama Filho), cuja a autora é Kelly Lúcia Gava Lorenzini Silva.

O artigo pode ser lido aqui.

10/15/2009

Mas... o que é a Osteoporose?

O que é a Osteoporose (OP)?

Corresponde à doença que popularmente se associa à “descalcificação dos ossos” mas que, realmente, corresponde a uma diminuição da massa óssea com o consequente aumento da fragilidade do osso que assim fica mais susceptível de se partir. A fractura é de facto a consequência final da OP-doença.

As fracturas podem ocorrer na coluna, levando à típica imagem da mulher ou homem curvados para a frente, mas também nas costelas, no punho e na anca. São aliás estas últimas as responsáveis pela mortalidade acrescida nesta doença, que a coloca como 12ª causa de morte nos EUA onde 1 200 000 fracturas osteoporóticas ocorrem todos os anos.

Só na Grã-Bretanha estimam-se em 220 000 o número de fracturas anuais por osteoporose, das quais 45 000 são da anca.

Para lhes dar uma noção mais exacta citarei dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) que estima só em fracturas da anca, a nível mundial, um aumento desde 1990, de mais de um milhão e seiscentos mil casos. Atingirá o valor astronómico de mais de seis milhões de fracturas em 2050 se, entretanto, não se encontrarem estratégias preventivas adequadas.

Em Portugal, o risco de uma mulher ter uma fractura por osteoporose ao longo da vida é de 30%, sendo que metade é de fracturas do fémur.

Cerca de metade das mulheres com mais de 50 anos terão uma fractura ao longo da vida devido à osteoporose, (mais frequentemente na coluna)!

Factores de Risco

Os principais factores de risco para a OP são a idade (também aqui, se todos vivermos o suficiente todos teremos OP), o sexo e os factores hormonais (como a baixa dos estrogénios na menopausa ou o défice de testosterona nos homens), a hereditariedade, (que condiciona o pico de massa óssea que atingimos no final da adolescência), a alimentação (leite e derivados), alguns medicamentos como os corticoesteroides e a heparina, a actividade física e alguns hábitos nocivos como o álcool e o tabaco.

Para além da quantidade de osso, onde hoje podemos influenciar, também a qualidade do osso é relevante. As quedas, e o risco delas, constituem outro factor adicional, de destaque nos idosos. E por terem menor equilíbrio, reflexos, força muscular e de visão, podem ainda, com a polimedição e o uso excessivo de tranquilizantes, ver agravado o seu risco de quedas.

Mesmo em casa, onde um terço das fracturas ocorrem, devemos iniciar a prevenção removendo barreiras e tapetes que escorregam nas habitações (casas de banho!) de pacientes em risco.

Como Prevenir?

A marcha é um excelente meio de prevenir a perda de massa óssea, melhora a massa muscular e a coordenação dos movimentoso. O exercício físico é uma óptima maneira de aumentar a massa óssea durante a infância e a adolescência.

Na mulher, em que a massa óssea se deteriora no período da menopausa, a OP ocorre por isso quinze anos mais cedo do que no homem. Uma estratégia adequada deve por isso ser equacionada com o ginecologista na fase da pré menopausa, avaliando factores de risco e, se indicado, medindo a massa óssea por densitometria óssea, o único método que permite medir e diagnosticar a OP.

As medidas gerais devem seguir a modificação dos factores de risco que atrás mencionei e que são já hoje bem conhecidos pela maioria dos médicos.

A terapêutica nos casos indicados deverá ser equacionada com os especialistas e tida sempre como uma estratégia de longo prazo.

Os suplementos de cálcio e vitamina D fazem parte de quase todos os esquemas de tratamento. Os bifosfonatos são, hoje, a pedra de toque da maioria dos doentes, quer nas formas oral ou injectável. Os análogos dos estrogénios (raloxifeno) representam uma alternativa no tratamento e na prevenção da fractura vertebral das mulheres postmenopausa, com aumento significativo da massa óssea também a nível cortical (fémur).

A terapêutica hormonal de substituição, os anabolizantes, a calcitonina, e o flúor podem ser alternativas em casos seleccionados tendo em vista os efeitos secundários dos dois primeiros e os resultados contraditórios dos dois últimos.

Recentemente, foi aprovado o Teriparatide, uma paratormona (PTH) muito eficaz na osteoporose refractária. Consta de um tratamento único por via subcutânea durante dezoito meses. A sua utilização em Portugal está prejudicada por aguardar comparticipação...

Também aprovado para o tratamento da osteoporose o Ranelato de Estrôncio com um mecanismo de acção proposto, actuando quer por inibição da reabsorção quer estimulando a osteoformação.

Muito recentemente foi aprovado pela FDA e pela EMEIA, estando já comercializado nos EUA, Suiça, França e Itália entre outros, o Ibandronato, um bifosfonato oral, de administração mensal, com boa eficácia, tolerância e maior comodidade na toma. Como os anteriores, aguarda comparticipação do Serviço Nacional de Saúde.

No Futuro?

No futuro, há a possibilidade de os ensaios clínicos, já em curso virem a demonstrar eficácia na prevenção das fracturas, do ácido zoledrónico. Uma injecção endovenosa anual! Aguardemos.

Se quiser mais informações pode contactar as duas associações existentes em Portugal. A APOROS (Associação Nacional Contra a Osteoporose) e a APO (Associação Portuguesa de Osteoporose).

Fonte: Jornal do Centro de Saúde

10/12/2009

Exercício Físico e Osteoporose

Uma vida activa e a prática regular de exercício físico são muito importantes para a saúde dos ossos, em todas as fases da vida: durante o crescimento e até aos 30-35 anos ajudam a obter um bom pico de massa óssea e a partir dessa idade contribuem para que a perda óssea seja mais lenta ou estabilize.

Mesmo que já tenha osteoporose ou tenha sofrido uma fractura deve fazer exercício físico e evitar ter uma vida muito sedentária. O exercício vai ajudar a:

* Manter a massa óssea e reduzir o risco de fractura

* Melhorar a força muscular e permitir uma melhor postura

* Melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de queda

* Reduzir as dores crónicas da coluna

* Prevenir ou diminuir as deformações da coluna provocadas pela osteoporose.

Nem todos os exercícios são bons para quem tem osteoporose e não deve começar qualquer programa sem falar com o seu médico.

O exercício adequado para si vai depender da gravidade da sua osteoporose, da existência de outros problemas de saúde e da sua forma física.

Regra geral não deve fazer mais que três sessões de exercício por semana, com duração de 30 minutos cada uma.

Os melhores tipos de exercícios para quem tem osteoporose são:

* Exercícios com carga: marcha, dança e aeróbica de baixo impacto

* Exercícios com resistência: usando pesos livres, aparelhos ou fitas de borracha

Uma óptima actividade para quem tem problemas de equilíbrio é o Tai Chi, uma forma muito suave de artes marciais que melhora o equilíbrio, a postura e reduz as quedas.

A natação, por não ser feita em carga, não é recomendada quando se pretende aumentar a massa óssea. No entanto, se já teve fracturas vertebrais, a natação e a hidroginástica suave podem ser bons exercícios, uma vez que a impulsão da água reduz o esforço necessário, reduz a probabilidade de ter dor na execução e ajuda a melhorar a força muscular.

Prevenção da deformação e da dor

As deformações da coluna vertebral e as dores crónicas nas costas podem ser reduzidas através da prática de exercícios que fortalecem a musculatura da coluna, do tórax, dos ombros e dos abdominais.

Depois de aprender estes exercícios com um terapeuta, poderá executá-los em casa, de forma regular.

Fonte: APOROS

10/05/2009

Dança, dança, dança...

Dança... mesmo que o teu corpo te doa.

9/07/2009

Funerais, Férias, EA e as "facadinhas" na dieta...

Fui passar uma semana a Viseu... estava mesmo a precisar. Sentia-me muito cansada, deprimida e a ida a Trás-os-Montes, para o funeral da minha avó, só veio piorar o meu estado.

Trás-os-Montes e a eterna tentação do famoso Trigo de Favaios (o meu pão favorito desde criança). Viseu e a comidinha da sogra (que é uma querida). Sol, muito calor... e gelados...

Está tudo dito, não???

Pois... está.

Desde dia 10 de Agosto até ontem. Vinte e cinco longos dias de dores insuportáveis que não acabavam, noites sem dormir... muitas bisnagas de Biofreeze para acalmar a dor, aparelhos estranhos ligados ao corpo todo [invenções do Toni]...

Creepy...

Tudo de novo. Tudo com era antes da dieta. E... não vale a pena. Não vale a pena,mesmo. Não há prazer que justifique tanta dor. Penso que aprendi a minha lição (pelo menos, pão... eu não vou voltar a comer)...

Ontem, 25 dias após terem começado as dores - por causa do famoso Trigo de Favaios que é, simplesmente, delicioso barrado com manteiga mal saído do forno aliado aos dois gelados que comi em Viseu - tive o meu primeiro dia sem dores.

Finalmente...

8/03/2009

Menu da Semana

A Ritinha pediu-me para lhe ajudar a fazer um menu semanal. Ela sabe que eu tenho planos para tudo...

O menu da semana ajuda-me a manter-me fiel à dieta e ajuda-me, sobretudo, a não saltar refeições ou a ir-me deitar sem jantar (um dos meus vícios).

Eu já introduzi o arroz há cerca de um ano, mais ou menos. Mas só o fiz seis meses após o início da dieta e quando os resultados das análises clínicas mostraram que a minha ea estava estabilizada.

Eu como arroz ("no prato") só ao fim-de-semana. Durante a semana eu costumo acompanhar o prato principal com saladas.

Os meus snaks salgados diários costumam ser os que faço com a farinha de arroz: as tostas de queijo e fiambre, as almofadinhas de carne, os queques de fiambre e queijo, as empadas de frango, os crocantes de arroz, a bola de queijo e fiambre... (costumo comer um snack destes ao almoço, também acompanhado com saladinha verde).

Então aqui fica o meu menu desta semana:

2ª Feira Peito de Frango Com Queijo e Fiambre

3ª FeiraFilete de Pescada no Forno

4ª FeiraBifinhos Enrolados Com Cogumelos

5ª FeiraSalada de peixe, lima e coentros

6ª FeiraBifinhos de Perú com Cogumelos

Sábado - Pato com Couve Lombarda & Frango assado com Arroz de Manteiga

DomingoMaruca Gratinada com Cogumelos & Coelho Frito e Arroz de Cenoura

Bom apetite!

7/31/2009

Uma Questão de Atitude







O copo está meio cheio...



...ou meio vazio?




Conheço duas raparigas com mais ou menos a mesma idade. Começaram a dieta sem amido mais ou menos na mesma altura. Uma tem cada vez mais dores, a outra já frequenta a praia [e até já cometeu um pecadito, ai, ai...].

Porquê? Porque uma já sente diferenças e a outra não?

Eu sei que existem casos em que a dieta pode não resultar. Os motivos são-me alheios. A mim e aos cientistas que descobriram esta dieta e a relação que há entre os polissacarídeos (o amido) e a ea.

Esta é uma pergunta que me persegue: porque é que comigo resultou e com a minha amiga não? Será uma questão de química? De genes? Ninguém sabe...

Não obstante, no caso destas duas raparigas, acredito que os resultados (ou a ausência deles) devem-se a uma questão de atitude.

Conversamos muito - via mail. Tanto uma como a outra iam partilhando comigo os seus medos, dificuldades, dúvidas...

Desde o início que ambas encararam este desafio com uma atitude completamente diferente.

Uma garantiu-me que, apesar de não ter o apoio da família, de estar deprimida, de se sentir sozinha, de estar em constante dor, não iria desistir porque acreditava que a dieta poderia ser a solução. Seguiu a dieta religiosamente... e já está a conseguir.

A outra, pelo contrário, sempre acreditou (demasiado) na possibilidade da dieta não fazer qualquer efeito. A atitude perante a dieta, sempre foi de desconfiança. Não seguiu a dieta como se impõe que seja seguida e esta dieta só resulta se for seguida com todo o rigor. Está a pensar em desistir da dieta. Continua com crises constantes, cada vez piores... eu perguntei-lhe o que ganharia em desistir da dieta, já que nem todos conseguem resultados imediatos, e porque é preciso dar tempo ao osrganismo de se curar... não obtive resposta.

Já aqui falei que, para mim, a dieta resultou, não por uma questão de fé. A fé é muito importante, fundamental para uma pessoa que tem uma doença, que está com dores. No meu caso, eu tinha perdido a fé em tudo.

Mas não perdi a minha atitude teimosa, perfeccionista. Se tens que fazer alguma coisa, fá-la bem feita... ou então, não faças. Este sempre foi o meu lema. E foi graças a ele que consegui vencer a ea.

A dieta obriga-nos a ser perfeccionistas. Se alguém quer, de facto, experimentar este caminho tem que o fazer com Atitude. Sem ela... nada feito. Não se pode comer? Então não se come. Ponto.

Infelizmente, tenho uma amiga que seguiu a dieta com Atitude mas que não conseguiu. Mas, sei que ela foi até ao fim e só desistiu na hora certa. Sei que sofreu muito, que poderia ter desistido muito mais cedo... mas, não: quis ter a certeza que a dieta não funcionava, não por falta de força, por falta de atitude, mas por outra coisa qualquer, seja química, seja genética...

A quem estiver a iniciar a dieta eu gostaria de deixar, aqui, uma palavra de força. Muita coragem... e principalmente, Atitude. São muito mais os que conseguiram do que aqueles que não obtiveram respostas.

7/21/2009

A ea, a família, os amigos, a sociedade e eu.

Ao longo da vida a pessoa vai-se modificando. As mudanças do Eu são normais à medida que a pessoa vai crescendo. Uns passam por muitas mudanças, outros nem por isso. Mas ninguém pode dizer que não mudou em nada durante toda a sua vida. Por mais subtil que seja a mudança, a pessoa muda sempre.

Eu não fugi à regra, claro. Fui mudando ao longo da minha vida. Não mudei muito... sempre mantive a minha essência. A Susana de 6 anos era a mesma com 16... e até com 26 anos. Com as mudanças normais de quem cresceu, socializou... de quem teve que ultrapassar obstáculos, vencer desafios. As tais mudanças subtis de que falei.

Porém, a Susana de 26 anos não é a mesma da Susana com 36. Durante este período deu-se uma mudança. Grande, por sinal... a essência perdeu-se.

Antes da ea... depois da ea. A doença mudou-me. Mexeu nos meus alicerces de tal forma que cai. Por pouco, todo o meu Eu não se desmoronou.

Cair... pode-se cair de várias formas. Pode-se ver essa queda de várias formas. Pode-se sentir essa queda de outras tantas formas... mas aprende-se sempre com a queda. Muda-se com a queda. Para bem. Para o mal.

Quando caímos, podemos ter sorte. A sorte de ter alguém ao nosso lado. Que nos pergunte se estamos bem. Que chore connosco. Que nos ajude a levantar. Que nos ajude a limpar as feridas. Que trate de nós. Que nos diga que já passou... Que vai ficar tudo bem.

Quando caímos, podemos não ter sorte. Podemos estar sozinhos sem ninguém à nossa volta. Podemos estar sozinhos rodeados de pessoas que não nos vêem ou que deixam dos nos ver quando caímos. E que, além de não nos verem, também não nos ouvem. Mesmo que falemos alto, mesmo que gritemos alto, mesmo que choremos alto. E por mais alto que falemos, que gritemos, que choremos... ninguém nos ouve. Porque não é alto o suficiente. Porque não é alto que chegue aos ouvidos das pessoas que estão em pé. Levantadas. Porque nós estamos no chão.

Então tudo muda. Nós mudamos. Eu mudei. Para o bem. Para o mal.

Vivia rodeada de pessoas. Tinha tantos - mas tantos - amigos... Chamavam-me formiga electrónica - 1m48cm e muita (demasiada) energia. A alma da festa que estava sempre alegre, que ria muito, que falava, brincava, dançava até se cansar (até cansar todos os que me rodeavam). "Adoramos ter-te connosco... sem ti isto seria tão aborrecido". Diziam que eu era "uma boa amiga, sempre no momento certo, no local certo, com a palavra certa".

A minha família é daquelas que tem milhares de tios, de primos... e por aí. Na loja, costumavam brincar comigo porque todos os dias aparecia um tio, um primo, um não sei quê para comprar óculos, mudar as lentes. Tanta que era a minha família. Grande. Isto para não falar nos meus primos e tios directos. Também muitos, também muito queridos. Do meu coração. No meu coração sempre.

Eu era muito querida na minha família, pelos meus amigos...

Era. Passado. Longe... demasiado distante... nublado. Esquecido. Sem retorno.

Hoje - tempo presente - sou tudo aquilo que nunca fui.

A ea mudou-me.

Não... não posso culpar a a doença. Não. A ea é uma doença muito chata, é verdade. Mas não posso usá-la como bode expiatório.

Os meus amigos, a minha família, a sociedade. Sim... foram eles que me mudaram.

Amigos: restaram 2 (P. a minha melhor amiga de décadas e o meu querido J. meu amiguinho de infância) + 1 (R. o namorado da minha melhor amiga que na altura não me conhecia de lado nenhum).

Família: o meu pai, a minha mãe, a minha irmã de sangue e a de coração. Uma prima (H.), o marido (primo V.) e as filhas (minhas priminhas E. e N.) . E os meus tios velhinhos (tia A. e o tio A.).

A culpa foi da ea... ou talvez não.

Porque até que se entende: deixei de ser rentável (20 a 30% desconto na factura dos óculos - desconto familiar - e, às vezes, até ficavam de graça), todos os que podiam beneficiar da minha cunha para entrar para a empresa, já lá trabalhavam... para quê darem-se ao trabalho de aparecer, de telefonar... de querer saber o que eu tinha?

O meu trabalho foi a primeira grande mudança. Antes estava lá todos os dias (não fazia férias, não tirava folgas, não falhava um único fim de semana) de 10 a 14 horas por dia. Uma verdadeira viciada. Eu gostava tanto do que fazia... (saudades da minha oficina...). Era eu que resolvia os "rollos" todos. A que ficava com os clientes problemáticos, com as crianças, com os velhinhos. E sempre que alguém fazia porcaria (passo a expressão) era eu que falava com os clientes, porque eu era "uma excelente mediadora de conflitos", segundo os meus colegas e superiores.

O primeiro desmaio. Um segundo... o terceiro. Baixa médica por 4 meses."Ela queria era férias prolongadas"... o que é que eu queria, diz-me? "Férias prolongadas", responde. Ela o disse, todos acreditaram. Depois de tudo... doeu (e ainda dói).

Consegui aguentar mais 10 meses mas cabei por me despedir. Não deu mais.

A família foi a segunda grande mudança. Uma das tias: "Ai filha, aqui na terra não temos tempo para mariquices dessas... dores, quais dores (que-eu-cá-sou-muito-forte-uma autêntica-guerreira)". Outra tia: "Mas porque não vais trabalhar? Vais ver que te vai fazer bem"... pérolas seguidas de pérolas. Tantas que daria um colar daqueles que todas as mulheres gostariam de ter: grande, muito grande... quase sem fim.

O pior foi mesmo o meu "mano". O meu primo tratava-me por mana. E eu sempre o senti meu irmão. A nossa cumplicidade era tanta que, mesmo longe, sabíamos quando um estava mal, a precisar do outro. Eramos... tudo.

Somos nada. Desde que fiquei doente. Nada... nada... nada...
[Chorei tanto, tanto, tanto... ainda choro, porque nem sequer me explicaste o porquê]

A sociedade foi a cereja em cima do bolo: principalmente a comunidade médica... várias dezenas de médicos, algumas centenas de euros gastos e só ouvia disto: "vá trabalhar senão os Ucranianos ficam com o seu trabalho..."

Finalmente, encontrei um médico - médico com M grande - que me ouviu sem ter consulta marcada, sem me cobrar nada. Exames e mais exames. Urgência.

Diagnóstico: Espondilite Anquilosante. Resposta: "Então, eu não sou maluca, Sr. Dr.? Nem preguiçosa?" Feliz. Muito feliz. Naquele momento fui a mulher mais feliz do mundo.

Naquele momento. Só.

No momento a seguir o acordar de um pesadelo para um outro pesadelo.

Hoje sou uma pessoa diferente. Mudei porque tudo mudou para mim. Eu não me reconheço. Olho-me ao espelho, sei que sou eu... mas não me reconheço.

Outro dia, o Toni tirou-me uma fotografia. Tenho-a guardada. Olh0 para ela, eu não sou aquela.

Da mudança, creio que o pior de tudo é isso mesmo: ter-me deixado de me reconhecer.

Fechei-me para o mundo. Fechei-me para os outros. Se alguém tenta entrar no meu mundo, afasto-me. Custa-me falar. Custa-me conviver. Quero estar só. Comigo. Não me apetece ver ninguém.

Tenho uma amiga nova. A F.P. Nem ela sabe como é especial para mim. Ela é tanto... é tudo. Porque foi a única que conseguiu. Derrubar essa parede que, tão habilmente, construí à minha volta. Faz me rir... com ela volto a ser a Susana que fui aos 6, aos 16... aos 26 anos (obrigada amiga, de todo o meu coração).

Existem mais pessoas que tentaram - ou que ainda estão a tentar - mudar-me. A uma certa altura, com uma certa pessoa, eu também tentei... embalada pela atenção, pelo carinho, pela preocupação, pela amizade dessa pessoa que eu não conheço, não sei o nome... (sei que existe porque enviou-me óleo de fígado de bacalhau com sabor a limão para ajudar-me na minha recuperação). Tentei... mas falhei. Sem quê nem porquê deixei de lhe falar. Porque já estava a custar demasiado... [penso em ti, todos os dias... sinto-me envergonhada, enojada pelo meu egoísmo... o que eu te fiz não tem perdão e eu odeio-me por isso]

Custa-me, simplesmente. Chega a ser um verdadeiro sacrifício.

Ter que falar, ter que conviver, ter que ver, sorrir... custa-me. Chego a ficar doente só de pensar em sair do meu mundo.

Porque este é o meu mundo.

Sinto-me longe o suficiente para me sentir segura. E, eu quero sentir-me segura.

Não iria aguentar mais desilusões... não iria, simplesmente.

A ea, a família, os amigos, a sociedade e eu.

A ea está controlada graças à dieta.

A família continua a mesma (a mãe, o pai, as manas, os tios velhinhos; a prima, o marido e as filhotas) + a família nova (do meu marido) que me acolheu de uma forma que jamais possível. Sinto-os como se fossem meus desde sempre... porque eles fazem-me sentir assim, desde o primeiro dia.

Os amigos, os mesmos. Mais a F.P. (de quem eu falei à pouco); a I. (que é, para mim, uma verdadeira irmã) e o marido C. - e dois filhotes lindos (a R e o T). E o meu médico o Dr. A. a quem eu devo a minha vida (e ele nem imagina isso).

A sociedade continua, corrompida e falsa, como sempre esteve.

Eu estou assim. Deprimida.

Por isso, estas palavras... a catarse que eu tanto preciso para ver se enterro tudo isto de uma vez por todas.

Porque quero voltar a ter 6 anos.

7/10/2009

Monstros... não existem.








Apenas existem desafios.









A Vida não é fácil. A Vida com ea menos ainda. Os dias são longos, doridos. As noites intermináveis, escurecidas pela dor constante. A doença da alma junta-se à doença do corpo. A EA ou outra doença qualquer, sempre ao nosso lado. Nossa companheira no caminho que é a vida.

Juntas, nós e as nossas doenças, arrastamo-nos dia após dia, noite após noite. Sem nos dar-mos conta, não somos nós que vivemos a vida. A Vida vive por nós.

Pensamentos negros invadem a nossa mente: “Se é para viver assim, mais vale não viver”…

Não. A Vida não é fácil.

A Vida devia ser cor-de-rosa. Nuvens… poucas: de algodão doce! E devia estar sempre a sorrir para nós… afinal, a vida devia ser colorida, alegre!

Um sonho de Vida em que tudo deveria ser música. O caminho, esse… seria feito de veludo! E, então, poderíamos correr, saltar e nunca, nunca corrermos o risco de nos magoarmos. Se caíssemos, o veludo acarinharia-nos como os braços de uma fadinha.

A Vida assim, sim… seria calma. Seria… perfeita!

O que seria, mesmo?

Se a vida fosse assim… o que nos restava fazer?

Se tudo fosse da mesma cor, como é que iríamos descobrir a existência de um Arco-íris?

Se tudo na Vida fosse perfeito, tudo estaria feito: as metas, os objectivos deixavam de ter motivo para existirem.

Então: que Vitórias teríamos para festejar?

O caminho existe para ser caminhado como diz a Susana. Com mais ou menos pedras… se não formos depressa, iremos mais devagar. E os obstáculos? São para se ultrapassar. E é aqui que descobrimos que não estamos sós: os nossos amigos ajudam-nos! E, pouco a pouco, dia após dia, o caminho vai sendo feito.

E, quando atingirmos aquele objectivo, Vitória será nossa. E saber-nos-à tão bem!

Depressa ou mais devagar, essa Vitória juntar-se-á a outras tantas Vitórias.

E assim, quando formos muito velhinhos e olharmos para trás, sorriremos porque saberemos que a Vida, essa… foi, sem dúvida Vivida por Nós!

#texto cedido pela minha querida Lia... obrigada, amiga.

6/24/2009

Hoje chamaram-me Mãe...


...e eu chorei.

Quando fui diagnosticada - depois de muita investigação e de uma longa conversa com o meu médico (de MTC) - tomei uma difícil decisão: não iria ter filhos.

Não foi de ânimo leve. Desde criança que sonho com o dia em que o teste de gravidez se iria tornar rosa.

A minha mãe engravidou, tinha eu 10 anos. A minha tia mais nova, a Cila, vivia connosco. Lembro-me bem do dia em que eu soube que iria ter uma irmãzinha: entrei no quarto dos meus pais e vi a minha mãe a chorar, toda contente. O meu pai olha para mim, com cara de "futuro pai babado pela segunda vez" e diz: "Vais ter um mano ou uma mana...". Eu corri para o quintal, meti-me na casa-da-costura e chorei. Estava tão contente... foi, sem dúvida alguma, o dia mais feliz da minha vida.

Desde então, eu e a minha tia Cila, líamos tudo o que apanhávamos sobre gravidez, bebés... como se faziam os bebés (às escondidas da minha mãe, claro), como o bebé se formava na barriga da mãe, como ele nascia...

Ao longo da minha adolescência fui planeando a minha gravidez. Quando chegou a altura certa, comecei a planear o parto (eu gosto muito de planos...). Iria ter a minha Laura ou Matilde - ainda não me tinha decidido - em casa, com a ajuda de uma Dola.

Um pouco antes de engravidar, fiquei doente.

Quando fui, finalmente, diagnosticada, foi o choque de saber que a doença tinha uma forte componente hereditária.

Sentei-me com o Dr. Artur - o meu médico - e falei-lhe da minha decisão. Ele foi o primeiro a saber. Falámos muito, nesse dia. O Dr. Artur sempre soube que o meu sonho era ser mãe. Mas apoiou a minha decisão. Para nós estava claro que existia uma grande probabilidade do bebé nascer com a doença. O "meu filho ou filha... ter as mesmas dores que eu tenho?" - e acenei a cabeça. Disse que não. Eu não iria ser egoísta a esse ponto, simplesmente, não iria.

Além disso, eu estava muito afectada, tanto física como psicologicamente. Já andava de canadianas, havia alturas em que tinha que ser a minha mãe a dar-me de comer à boca... como poderia eu ter um filho, assim?

Chorei muito. Não podia ver uma criança a brincar, uma mulher grávida, uma ecografia... começava a chorar. Porque doía. Tanto que não sei explicar.

No ano passado, tudo na minha vida mudou, graças à dieta sem amido. Logo que comecei a melhorar, decidi voltar ao trabalho. Não voltei a exercer a minha profissão porque fui ajudar a minha mãe. Ela estava um pouco debilitada e precisava de ajuda para tomar conta dos bebés dela - ela é ama.

Os primeiros meses foram uma autêntica tortura. No mesmo mês em que eu comecei a trabalhar com a minha mãe, entraram dois bebés de 4 e 5 meses. Tão pequeninos, tão frágeis... tão lindos...

A menina chamava-se Clara. Linda, a minha princesinha...

Muitas vezes, eu pegava nela e ali ficava. Não conseguia evitar, as lágrimas escorriam-me pela face. Poderia ser a minha Matilde (ou Laura)... pensava, para mim.

A minha mãe apercebeu-se que eu não estava a lidar muito bem com a situação e, sempre que se apercebia que eu estava triste, vinha para ao pé de mim, pegava na Clarinha e conversava comigo. Ela sempre apoiou a minha decisão. Compreendeu, disse-me que seria a sua decisão, também.

Aos poucos, a mágoa e a dor foram passando. Não vou dizer que já está tudo bem. Que já não dói. Mas, como com tudo na vida, aprendi a aceitar.

Mas... hoje, estávamos todos a brincar - num reboliço incrível - e a Clara (agora com 30 meses) olhou para mim e chamou-me Mãe. E eu chorei...

6/11/2009

Um Dia Será o Nosso Dia...

Infelizmente, todos nós passámos (ou estamos a passar) por momentos que não deveríamos ter passado. Eu não falo das dores, do cansaço, da depressão porque são parte da EA (pelo menos, até encontrarmos o nosso caminho*).

Refiro-me ao preconceito, ao desprezo, ao abandono, ao isolamento imposto pelos que nos rodeiam, por aqueles que nos deveriam apoiar.

Contra a EA, de uma maneira ou de outra, conseguimos lutar. Agora, lutar contra tudo o resto pode ser mais doloroso que a pior das crises.

Acredito, porém, que tudo o que passamos ajuda-nos a reconhecer tudo de bom que a EA nos trouxe.

"Porquê, eu?" Muitos de nós fizemos esta pergunta. Eu fiz tantas vezes que perdi a conta. Contudo, muita coisa mudou, desde que a ea apareceu na minha vida. Por isso, hoje eu digo: "ainda bem que aconteceu a mim..."

Tudo o que eu ganhei ultrapassa de longe, tudo o que eu perdi. E eu estou tão grata por isso.

Não digo que, por vezes, eu não "vá a baixo". Pelo contrário, isso ainda me acontece com alguma frequência. Aliás... foi o que me aconteceu nesta última semana. Às vezes, ainda sinto esta necessidade de me isolar. Por mais que eu queira, não consigo falar com ninguém. Nem com os meus amigos mais próximos. Simplesmente, não consigo. Pergunto-me porquê... mas não sei a resposta. Só sei que me basta pensar que vou falar com alguém para me sentir maldisposta.

Mas, mesmo nestes dias eu não deixo de acreditar que tudo acontece por uma razão. A EA apareceu porque eu tinha que mudar. E mudei. Aprendi a Olhar para tudo com outros olhos. Aprendi a olhar para os que me rodeiam de uma outra forma. Aprendi a olhar para Mim.

Existem muitos que não tiveram uma segunda hipótese.

A vida sorri, todos os dias, para nós. Nós temos que sorrir de volta.

E, se não for com uma cambalhota... que seja, somente, com um "obrigada". Porque se hoje o nosso corpo não nos deixa, sequer, mexer... quem nos garante que amanhã não é o dia de sarau?

* Eu acredito que todos temos um caminho à nossa espera... por vezes é um pouco complicado descobri-lo, mas ele está lá.

6/06/2009

Probabilidade de Evolução Silenciosa


Fotografia de Luci

Quando as dores começaram a desaparecer - devido à dieta sem amido - nem queria acreditar. Mas, apesar de tanta alegria, eu não podia deixar de me sentir apreensiva com a possibilidade de uma evolução silenciosa da doença: de que é que me valia estar sem dores se, no fim, eu ficasse anquilosada, não é?

Por essa razão, seis meses após o início da dieta, fiz um série de exames para ver como estava a evolução da ea.

Para meu espanto - e para maior espanto do meu médico - a Velocidade de Sedimentação (VS) e a Proteína C Reactiva (PCR) estavam com valores completamente inesperados.

A VS e a PCR são os marcadores que nos indicam o grau de inflamação que existe no nosso organismo. Os meus valores aumentavam com uma velocidade assustadora porque a minha espondilite era bastante agressiva (pouco normal, visto que eu sou mulher e, isso, acontece mais no sexo masculino).

Lembro-me prefeitamente da reacção do meu médico: "A sua PCR está a 0,0043... como é que a Susana conseguiu isto?"

Fui mostrar as análises à minha reumatologista do IPR: consegui um enorme ponto de interrogação em frente do diagnóstico, na minha ficha... a médica repetia: "Não estou a entender...", enquanto revia todos os meus relatórios antigos (os últimos tinham cerca de sete meses).

Perguntei-lhe se podia repetir a cintigrafia óssea ao que ela me respondeu que não valia a pena sujeitar o organismo a um exame tão invasivo, uma vez que as análises mostravam que não existia inflamação no organismo.

A minha Espondilite Anquilosante está estável. Creio que é um pouco (mais ou menos?) como a diabetes tipo II do meu pai. Com a dieta que o meu pai faz, os seus níveis de glicémia estão dentro dos parâmetros normais: neste momento, o meu pai não é diabético. Mas, não deixa por isso de ter predisposição genética para a diabetes. Sempre que "abusa" em algo que não pode... a diabetes volta.

Tenho feito análises de seis em seis meses. Está tudo bem... os valores mantém-se em 0,000 "qualquer coisa". Neste momento, posso dizer que não tenho EA.

Sei que a qualquer momento - basta uma "escorregadela" na dieta - posso ter uma crise tremenda. Sei que continuo a correr o risco que anquilosar - se não continuar a fazer a dieta... sei que todos os dias são um novo dia.

E, sim, agora tenho fé em como não irei cair na tentação de comer o que não devo.

6/03/2009

Uma Questão de Fé... ou não.


Não consigo compreender. Tento, vou voltas e mais voltas mas não. Não me é possível compreender como é que existem pessoas que preferem estar em constante sofrimento em prol da comida ou porque o médico não aconselha fazer a dieta sem amido.

Não os julgo, nada disso. Só tento perceber o seu ponto de vista.

A dieta sem amido (ou com pouco amido, como a que eu faço) é a solução para uma grande parte de espondilíticos. Está provado. Cientificamente, mas não só. São inúmeros os espondilíticos que seguem este regime alimentar. E estão bem. Porque lhes foi devolvida a vida.


Mas existem os espondilíticos que não querem nem ouvir falar da dieta sem amido. Porquê? Uns dizem que gostam de comer, outros porque o médico não aconselha...

Hoje, uma amiga - lá no fórum - disse-me que foi a minha fé que me curou. Acreditei muito e, por isso, o meu cérebro ajudou na cura.

Não. Infelizmente, não foi a minha fé. No verão de 2006, perdi toda a minha fé.

Num só mês perdi uma das minhas melhores amigas (que ainda hoje me faz muita falta), separei-me do meu companheiro (de há dez anos, porque ele não tinha paciência para enfermeiro), a minha família "virou-me " as costas (porque eu era uma preguiçosa oportunista que queria viver às custas dos meus pais), perdi o meu trabalho (que eu adorava), perdi a grande maioria dos meus amigos (ficaram dois), perdi a minha casa (que significava tanto para mim e para a qual tinha trabalhado tanto)... e, pior de tudo: foi-me diagnosticada a Espondilite Anquilosante.

Fé? Onde? Para onde é que foi a minha fé? A minha falta de fé levou-me ao desespero. Quis morrer... tentei morrer. Não consegui.

Um ano depois conheci o meu marido. Graças a ele descobri esta dieta. Não acreditei, sinceramente, que uma simples dieta fosse fazer o que fosse. Mas, como estava em casa, sem fazer nada - porque não podia sequer mexer-me com as dores alucinantes que tinha - resolvi fazê-la.

Vou fazer uma confidência: o meu marido disse-me que eu jamais conseguiria fazer a dieta porque eu dependia, não só fisicamente como psicologicamente, da comida (nisto, ele tinha razão...). Eu sou do signo Touro, sou teimosa como ninguém. Tinha que lhe provar que conseguia fazer a "treta" da dieta!

Pouco tempo mais tarde, acordei sem dores. Eu estava incrédula... um dia sem dor, há tantos anos... nunca me tinha acontecido. Eu estava mesmo sem dores...

Não percebia o que se estava a passar até que minha mãe pergunta-me: "não será da dieta?"

Seria? Não acreditei muito... não, deveria ser outra coisa qualquer. Por favor: a espondilite, uma doença tão grave... uma dieta??? Não.

Pensei assim durante bastante tempo, até que tive que aceitar que sim... era a dieta.

Hoje, posso dizer que a minha fé está, novamente, comigo. Acredito que foi a minha "mãe do céu" que pôs António no meu caminho. Acredito que os meus guias, os meus anjos da guarda me ajudaram a encontrar a dieta. Não tenho qualquer dúvida disso. E estou-lhes muito grata por isso. Agradeço todos os dias essa graça.

Mas... na altura, não foi a fé que me salvou. Foi uma simples dieta.

5/28/2009

O Que Comer Numa Primeira Fase da Dieta


O que comer:

- Mel
(Obrigatório! Dá-nos os hidratos de carbono que precisamos, sem nos fazer mal!)

- Marmelada
(caseira, melhor...)

- Gelatina (atenção ao rótulo!)
(tenho sempre gelatina de todas as cores no frigorífico, "mata" a fome, óptima fonte de proteína!)

- Queijo flamengo fatiado, pouco... (atenção ao rótulo!)
(atenção aos queijos curados! A mim fazem-me mal)

- Ovos
(cozidos, mexidos, estrelados, omeletes...)

- Fiambre
(atenção ao rótulo! Quase todas as marcas de fiambre trazem farinha, amido modificado, polissacarídeos, maizena... isto tudo significa: amido)

- Maionese
(atenção ao rótulo!)

- Saladas temperadas com sal e limão
(alface, agrião, couve roxa, rúcula, endívias, espargos, aipo, pepino, courgette, funcho)

- Bolos
(feitos com farinha de amêndoa sem pele ou com coco ralado)

- chocolate de leite
(mas atenção ao rótulo e comer em poucas quantidades!)

- Atum
(óptimo em saladas, com ovo e maionese)

- Enlatados
(só atum e sardinha - tudo o resto tem amido: fruta em calda, tomate enlatado, etc...)

- Chocolate para bolos
(atenção ao rótulo!)

- Leite
(só de coco... por agora...)

- Coco
(em bolos, queques, biscoitos...)

- Carne
(qualquer tipo excepto fígado)

- Peixe
(qualquer tipo)

- Legumes
(alcachofra, espargos, repolho, corgette, couve lombarda, couve roxa, espinafres - só cozidos! Não mistures em sopas.... sopas estão proibidas!)

- Fruta: toda, excepto banana.
(Nota importante: a fruta tem que estar bem madura antes de ser colhida. Se for colhida ainda verde, o amido não foi convertido em frutose. Isto acontece com a maior parte da fruta que está à venda... tem que se ter muito cuidado! Fazer o teste do iodo antes de consumir!!!)

- NADA de sopas, feijão, grão, arroz, batatas, nabos...

5/20/2009

A Uveíte e a Espondilite Anquilosante


Imagem daqui

Dentro do olho existe um conjunto de estruturas que são a íris (parte colorida dos olhos), corpo ciliar (produz o humor aquoso, líquido que preenche a parte anterior do olho) e a coróide (parte vascular situada adjacente à retina). Estas 3 estruturas compõem o trato uveal ou a úvea.

As Uveítes são basicamente, a inflamação de uma ou mais destas estruturas. O nervo óptico e a retina também podem ser afectados. Pode ser inflamada só uma parte ou a totalidade da mesma. A inflamação limitada a parte da úvea pode receber o nome da zona abrangida; por exemplo, irite (inflamação da íris) ou coroidite (inflamação da coróide).

A Uveíte tem muitas causas possíveis, algumas das quais se limitam ao olho enquanto outras afectam o corpo todo.

Cerca de 40 % das pessoas com uveíte têm uma doença que também afecta outros órgãos do corpo. Independentemente da causa, a uveíte pode danificar rapidamente o olho e provocar complicações prolongadas, como o glaucoma, as cataratas e o deslocamento da retina.

Sintomas e diagnóstico

Os primeiros sintomas da uveíte podem ser ténues. A visão pode tornar-se enevoada ou a pessoa pode ver pontos negros flutuantes. A dor aguda, a vermelhidão do branco do olho (a esclerótica) e a sensibilidade à luz são particularmente comuns na irite. O médico pode ser capaz de ver vasos sanguíneos proeminentes no bordo da íris, alterações ligeiras na córnea e o líquido que enche o olho (humor vítreo), que fica turvo. O médico faz o diagnóstico baseando-se nos sintomas e nos resultados do exame físico.

Tratamento

O tratamento deve começar o mais cedo possível para evitar as lesões permanentes. Quando não tratada de forma adequada ou quando o diagnóstico é muito tardio, a uveíte pode causar danos visuais irreversíveis. Ela pode causar ainda glaucoma, deslocamento de retina, catarata, além das cicatrizes na retina que causam redução na visão.

Causas mais frequentes de Uveíte

Espondilite Anquilosante
Síndroma de Reiter
Artrite reumatóide juvenil
Síndroma de Behçet
...entre outras.

No caso de um doente com Espondilite Anquilosante, torna-se imperativo a ida regular a um oftalmologista. Principalmente, na presença de qualquer um dos sintomas acima descritos.

Nota importante: não esperar que olho fique vermelho, se sentir qualquer um dos outros sintomas!

5/17/2009

Beneficiários de Isenção de Taxas Moderadoras


Pedro Alves

Os doentes com espondilite anquilosante são beneficiários de isenção de taxas moderadoras, pelo que todos os portadores desta doença devem solicitar às entidades competentes - Centros de Saúde e\ou Centros Distritais de Segurança Social - a emissão dos documentos comprovativos das condições que possibilitam a isenção das taxas moderadoras.

Para usufruir dos benefícios da rede de prestação de cuidados de saúde primários, um doente com EA deve dirigir-se ao Centro de Saúde da área da sua residência e solicitar a inscrição, a emissão do Cartão de Utente e a designação do seu médico de família.

Mais informações aqui.

5/12/2009

A Cura


Cris, no seu blog deixa seis pequenas perguntas e convida-nos a reflectir sobre elas...

Em que consiste a cura?

Para quê a cura?

Para quem?

Estamos prontos?

O que ganhamos?

O que perdemos?...


Pouco depois de me ter sido diagnosticada EA, foi diagnosticada, ainda, uma outra doença, a Fibromialgia. Tenho uma série de livros que falam sobre o assunto mas, um deles - Libérese de La Fibromialgia, pela Dra. Nancy Selfridge, destingue-se de todos os outros.

É um livro muito interessante pois convida-nos a fazer uma série de exercícios, que nos fazem pensar... devo confessar que, ao fazer determinados exercícios propostos pela autora, senti-me muito desconfortável. Muitos, até, fizeram-me chorar e... digo-vos: fez-me muito bem!

Às vezes, guardamos - lá no fundo do nosso coração, das nossas memórias - momentos da nossa vida que precisam de ser resolvidos... e, falo por mim, claro, apesar de difíceis, temos que as resolver. Não falar num determinado assunto, não faz com que ele desapareça. Pelo contrário. Vive em nós, deixa-nos fracas...

E o que é a doença senão um parasita? Aproveita-se da nossa fraqueza para crescer e vencer...

Cabe a nós decidir se é isso que queremos, porque é difícil lembrar, pensar, falar... ou se o que queremos é, na realidade, Viver...

Por ter passado por todas estas questões, considerei interessante deixá-las aqui. São questões que incómodas... mas que devem ser colocadas.

2/24/2009

Obcecados... ou Cautelosos?


Rótulos, ingredientes, bulas... nos dias de hoje, não há um único produto alimentar, ou não, que eu compre sem saber o seu conteúdo. Sei que existem pessoas - que também fazem a DSA - iguais a mim. Apelidaram-nos de obcecados... Será?

Eu não me considero obcecada... eu explico:

Antes de ter conhecimento da Dieta Sem Amido

- Com dor crónica, acamada dia e noite, tomava banho só uma ou duas vezes por semana porque doía demais (mesmo sendo a minha mãe a fazê-lo). Não saía de casa, não podia trabalhar... ou passear. Isto quando não tinha os conhecidos surtos ou crises de EA. Quando isto acontecia, pensava na morte.

Quando descobri que havia a Dieta Sem Amido

- “Tretas!... Se isso fosse verdade, não existiriam espondilíticos no mundo! Bem... o António curou a Doença de Cronh com uma simples dieta. Sim! A Doença de Cronh não tem cura... é crónica como a EA... mas dez anos – de colonoscopias, hemorragias quase 24 horas seguidas, anemia crónica, transfusões de sangue – depois, o facto é que ele está mesmo curado! Até o médico dele pediu-lhe o livro da tal dieta... Também, não me custa nada tentar: não tenho nada a perder. Tentemos.”

Quando comecei a Dieta Sem Amido

-“No Natal vingo-me nos pastéis de bacalhau da minha mãe!”

Três semanas após o início da Dieta Sem Amido

- O meu primeiro Natal do resto da minha vida! Pastéis de Bacalhau? Nem olhei para eles. Estava Sem dores!!!

Não sou obcecada: sou cautelosa.

Eu não quero ter uma recaída porque não li/verifiquei/testei este ou aquele alimento! Uma recaída significa, para mim, ficar acamada com dores completamente incapacitantes, de enlouquecer!!! Eu não quero sequer pensar em ter uma crise!

Obcecada? Não me parece que o seja...

Mas, atenção! Não é minha intenção criticar as pessoas que de alguma forma nos possam considerar obcecados... ou mesmo paranóicos! Pelo contrário: eu compreendo o seu ponto de vista. O que eu realmente gostaria é que percebessem o nosso ponto de vista. Gostaria que percebessem porque razão somos\agimos assim.

Só para terminar: sei que existem espondilíticos que após algum tempo na Dieta Sem Amido conseguiram voltar a consumir amido. Eu já decidi que isso jamais acontecerá comigo. Quando chegar esse dia, eu irei continuar com a DSA. Porque, como uma vez contei aqui, a minha saúde melhorou muito... muito mesmo. Não quero voltar a ter o fantasma da diabetes atrás de mim. Não quero voltar a estar em risco de ter um AVC a qualquer momento... não quero a vida que eu tinha.

2/13/2009

Conspiração... contra quem?


Imagem de Fábio Leonardo


Hipócrates disse um dia:

"Que a comida seja a tua medicina e não a medicina a tua comida"

Não é fácil aceitar que a alimentação seja responsável por tantas doenças como a Diabetes, a Doença De Cronh, a Colite Ulcerosa entre tantas e tantas outras. Contudo, essa é a verdade.

Depois se décadas de pesquisas, cientistas de todo o mundo provaram que existe uma relação directa entre a doença e a alimentação.

Quer queiramos ou não, a sociedade dita desenvolvida está a "morrer pela boca"...

O bom-senso diz-nos que tudo que é demais, faz mal. Para pessoas com problemas de saúde, a situação agrava-se dramaticamente.

Eu conheço uma rapariga que, apesar de bastante jovem, foi-lhe diagnosticado cancro raro já em fase terminal. Foram-lhe dados poucos meses de vida... há cerca de 4 anos atrás. A primeira coisa que ela fez foi alterar o seu regime alimenta: deixou de comer hidratos de carbono complexos, optou por uma alimentação mais natural: vegetais, fruta... foi ela que me ensinou como os sumos de vegetais, por exemplo, podem ser autênticos "salva-vidas"...

O Prof. Alan Ebringer e a sua equipa, conseguiram demonstrar em laboratório que existe relação entre a bactéria Klebsiella, o amido e a EA. Ele defende que doentes com EA devem optar por um regime alimentar pobre em hidratos de carbono complexos - amido. Aliás, no hospital onde o Prof. trabalha, existem vários espondilíticos tem vindo a ser tratados - com sucesso - unicamente com a DSA e um antibiótico.

Não deve ser à toa que este homem seja conhecido pelo "médico que incomoda"!

Incomoda? Quem e porquê? Estas perguntas devem ser feitas...

Pode parecer que existe uma teoria da conspiração à volta disto tudo, é verdade. Não obstante... não será o caso que investigarmos a fundo? E se isto for tudo mesmo verdade?

No livro da Carol Sinclair vem uma explicação fantástica de como começou esta "loucura" dos cereais ao pequeno almoço...

Existe conspiração, sim. Mas não é contra a indústria alimentar ou contra a indústria farmacêutica: é contra nós.

2/12/2009

(DES) Informação


O “povo” sempre se quis estúpido. Quanto menos acesso à informação, à cultura, ao conhecimento tivesse, melhor. Durante séculos, grupos de “sábios”, impediram as pessoas de estudar, aprender, de se tornarem mais cultos. Que melhor modo existe para ter a plebe sob o seu domínio?

Por exemplo, a Santa Inquisição era a dona e senhora. Só o clero tinha acesso ao conhecimento. Vedava tudo o que fosse informação ao cidadão comum. Sem este conhecimento, o povo mantinha-se sob o jugo daqueles que sabiam ler. E assim se vivia nos tempos escuros do obscurantismo.


Depois veio o Renascimento. A luz do conhecimento chegava a mais pessoas. Já sabiam ler e, por isso, o saber abria novos horizontes. Contudo, a informação ficava, mais uma vez, sob a alçada daqueles que dominavam as letras, as ciências... e, novamente, a “arraia-miúda” curvava-se àqueles que tudo sabiam.

Ainda hoje é assim. Os “ Srs. Drs,” que tudo sabem, usam e abusam desse poder.

Exemplificando:

Sempre que alguém vai ao médico, depara-se com mil e uma maneiras de ficar sem perceber nada de nada.
Ou seja, os relatórios escritos pelos “doutos” são imperceptíveis: chamam-lhes “letra de médico”; quando lhes perguntamos algo, saem-se com um chorrilho de palavrões que ninguém entende; se lhes pedimos que nos explique o que raio acabou de dizer, perguntam-nos para que é que queremos saber ; e se insistimos, venha de lá a explicação mais absurda que se conseguirem lembrar (afinal, há que utilizar palavras simples para que a “populaça” continue estúpida)...

E, outra vez, o “povo” fica na ignorância, continuando assim, de necessitar recorrer ao “Sr. Dr.” Para saber o pouco que eles se permitem decifrar.

Na nossa legislação, existe uma alínea (algures) que diz que não podemos alegar desconhecimento da lei. Ou seja, se fizermos algo ilegal, por falta de conhecimento, não podemos alegar que não sabíamos. Temos a obrigação de conhecer a lei, sob pena de cometer alguma ilegalidade e, mais tarde, pagar por isso.


Mas, no que diz respeito à medicina, não. Vedam-nos, totalmente, a informação. E, ai de alguém demonstrar que sabe o que o “Sr. Dr.” está para ali a anunciar! Porque corre o risco do "Sr. Dr."
ficar aborrecido! Mas é raro alguém saber o que eles estão para ali a falar. Os livros de medicina são tão dispendiosos, que se torna difícil, para o cidadão comum, ter acesso a eles.

Felizmente, alguém farto desta situação, inventou a Internet. Agora, todos nós (o “Zé Povinho”) podemos descobrir o que, aquele palavrão indecifrável que o “Sr. Dr.” proferiu, significa. Por isso, sempre que aprendo uma palavra nova, lá vou eu “ligar-me” à net...


E foi assim, que eu, sem me aperceber, despoletei toda a ira da minha médica de família.
Pois é. Tudo tem o seu preço. O Saber para a “Sra. Dra.”, é mau. E depressa vim a descobrir isso mesmo. Quando ela se dirigiu ao meu pai, dizendo-lhe que ele tinha “bicos de papagaio” eu, inocentemente (ou não!) anui que já tinha reparado nas artroses da sua coluna. Se a Maga Patalógica estivesse à minha frente, naquela hora, eu tinha virado estátua de gelo! Não é que ela ficou possessa? Adorei!!! E continuei. Sempre que chamava “os bois pelos nomes”, ela ficava mais furiosa. Eh, eh...

Agora, que sei o que significa “Espondilite Anquilosante”, vamos ter mais uma luta entre a néscia da “Sra. Dra.” e eu. Vai ser fenomenal!
Esperemos pela semana que vem, depois do dia vinte de Outubro. Neste dia, irei ao médico do IPR. e, a seguir, marcarei a consulta para a minha médica de família.

Esperemos, ansiosos, pelos próximos episódios...


***

Escrevi este texto no dia 15 de Outubro de 2006, no meu diário... desde essa altura, muita coisa se passou. Neste dia, ainda não tinha bem presente a gravidade da situação. Quando a ANEA me explicou um pouco melhor o que a EA era...

A minha médica de família, quando viu os meus exames disse-me, somente, que eu deveria ter muitas dores, sim, porque tinha o "pescoço rígido". Nem mais nem menos... e eu, desisti de entrar em lutas com ela.

Eu desisti da minha carreira porque já não conseguia fazer o meu trabalho com a perfeição e entrega que ele exige. Será pedir muito a estes detentores de canudos que façam o mesmo?